Por que o planejamento é a etapa mais importante de um içamento?
Um içamento de cargas começa muito antes de a peça sair do chão. A operação deve partir do levantamento das informações da carga, do local, do equipamento e da trajetória necessária entre a posição inicial e o destino.
Peso, centro de gravidade, raio de operação, tabela de carga, terreno, acessórios e espaço disponível estão relacionados. Uma alteração em apenas um desses fatores pode modificar a configuração necessária para executar o serviço.
Quanto maior a carga, o alcance ou a complexidade do ambiente, maior deve ser o nível de detalhamento do planejamento.
A capacidade nominal de um guindaste não representa a carga que ele pode elevar em qualquer distância. A capacidade disponível deve ser verificada na tabela de carga para a configuração real da operação.
1. Confirme o peso da carga
O primeiro dado é o peso real da carga. Selecionar um equipamento a partir de uma estimativa inadequada pode comprometer todo o planejamento.
Sempre que possível, o peso deve ser confirmado por documentação técnica, desenho, placa de identificação, dados do fabricante ou outro método tecnicamente adequado.
Também devem ser considerados os componentes que efetivamente ficarão suspensos durante a operação:
- balancins e travessas de içamento;
- cintas, cabos de aço, correntes e lingas;
- manilhas, ganchos e acessórios;
- componentes presos à peça durante a movimentação.
2. Identifique o centro de gravidade
Duas cargas com o mesmo peso podem apresentar comportamentos completamente diferentes. Um dos motivos é a posição do centro de gravidade.
Quando ele está deslocado, os pontos de pega podem receber esforços diferentes e a carga pode inclinar ao sair do apoio. Máquinas industriais, tanques, transformadores e conjuntos com componentes concentrados em uma das extremidades merecem atenção especial.
- localização do centro de gravidade;
- pontos de içamento previstos para a peça;
- distribuição de esforços entre os pontos de pega;
- possibilidade de inclinação ou rotação;
- necessidade de balancim ou configuração específica das lingas.
3. Calcule o raio de operação
O raio de operação está relacionado à distância horizontal entre o centro de giro do equipamento e a posição da carga. Esse é um dos fatores que mais influenciam a capacidade disponível.
À medida que o raio aumenta, a capacidade normalmente diminui. Portanto, dizer apenas que um guindaste é de 60 ou 75 toneladas não informa quanto ele poderá içar na situação real.
A verificação deve ser feita na tabela de carga do fabricante, considerando configuração, comprimento de lança e demais condições aplicáveis.
Alguns metros adicionais entre o guindaste e a carga podem alterar significativamente a capacidade disponível. O posicionamento do equipamento deve fazer parte do planejamento.
4. Avalie o terreno e o patolamento
A estabilidade do equipamento depende também da área onde ele será apoiado. Durante a operação, esforços importantes são transmitidos ao terreno através das patolas.
É necessário avaliar as condições do piso e a forma adequada de distribuir as reações de apoio conforme a operação.
- condição e capacidade do terreno ou piso;
- nivelamento;
- aterros recentes, valas ou solo remexido;
- galerias, tubulações e estruturas subterrâneas;
- proximidade de escavações, taludes e bordas;
- espaço para abertura das patolas;
- necessidade de elementos adequados para distribuição das cargas de apoio.
Uma superfície aparentemente rígida não é, isoladamente, garantia de capacidade para receber as reações transmitidas pelo equipamento.
5. Escolha o equipamento pela operação, não apenas pela tonelagem
A escolha entre guindaste móvel, Munck/guindauto, guindaste aranha, empilhadeira ou outros recursos deve partir das condições reais do serviço.
Além do peso, precisam ser avaliados alcance, altura, acesso, espaço para estabilização, ambiente interno ou externo e precisão necessária no posicionamento.
Guindaste móvel
- maior capacidade ou alcance, conforme o modelo;
- montagens industriais e estruturais;
- içamentos em áreas externas;
- operações dimensionadas por tabela de carga.
Munck / Guindauto
- pode integrar transporte e movimentação;
- carga e descarga de máquinas e materiais;
- serviços com acesso para o caminhão;
- operações compatíveis com seu alcance e tabela de carga.
Guindaste aranha
Em ambientes internos ou com acesso restrito, o guindaste aranha pode atender situações nas quais equipamentos convencionais não conseguem se aproximar da carga. Sua seleção também deve respeitar configuração e tabela de carga.
6. Verifique altura e interferências
O equipamento precisa conseguir executar toda a trajetória, e não somente retirar a carga do chão. Devem ser analisadas interferências que possam afetar a lança, os acessórios ou a própria carga.
- edificações e estruturas;
- coberturas e marquises;
- tubulações industriais;
- árvores e obstáculos físicos;
- espaço para passagem da carga;
- redes elétricas e outras interferências existentes.
7. Selecione os acessórios de içamento
Cintas, cabos de aço, correntes, manilhas, ganchos e balancins integram o sistema de içamento. Eles precisam ser compatíveis com os esforços previstos e com a geometria da peça.
Ângulos das lingas, pontos de conexão, quinas da carga e distribuição dos esforços devem ser considerados. Os acessórios precisam possuir identificação e condições adequadas de utilização.
8. Planeje origem, trajetória e destino
Um erro comum é estudar cuidadosamente a retirada e deixar o posicionamento final para ser resolvido durante a operação. O planejamento deve contemplar o percurso completo.
- Origem: posição da carga e conexão dos acessórios.
- Elevação: altura necessária para vencer obstáculos.
- Trajetória: caminho percorrido pela carga e pela lança.
- Destino: posição e orientação final.
- Desengate: forma de retirada dos acessórios após o apoio.
9. Organize isolamento e comunicação
A operação deve prever controle da área, funções da equipe e forma de comunicação. Quando o operador não possui visão completa da carga, a sinalização e a comunicação tornam-se ainda mais relevantes.
A sequência planejada deve ser conhecida pelos profissionais envolvidos antes do início da movimentação.
10. Plano de rigging e operações complexas
Operações de maior complexidade podem exigir um plano de rigging ou planejamento técnico formal compatível com os riscos e requisitos do serviço.
Esse planejamento pode reunir características da carga, configuração do guindaste, raio, tabela de carga, acessórios, posicionamento, condições de apoio e sequência operacional, conforme as necessidades do içamento.
Checklist para avaliar um içamento
- peso confirmado da carga;
- comprimento, largura e altura;
- centro de gravidade, quando conhecido;
- pontos de içamento;
- fotos e vídeos da carga e do local;
- distância entre equipamento e carga;
- posição final e altura necessária;
- condições do terreno e espaço para patolamento;
- obstáculos e interferências;
- restrições de acesso.
Erros que devem ser evitados
- escolher o guindaste apenas pela capacidade nominal;
- utilizar peso sem confirmação adequada;
- desconsiderar acessórios suspensos;
- ignorar o centro de gravidade;
- não medir o raio real;
- desconsiderar o terreno;
- definir o equipamento antes de analisar o acesso;
- planejar a retirada sem estudar o destino.
Conclusão
Planejar um içamento com segurança significa analisar a operação como um sistema. Peso, centro de gravidade, raio, tabela de carga, terreno, acessórios, acesso e equipamento precisam ser avaliados em conjunto.
Uma pequena mudança na posição do guindaste pode alterar o raio e a capacidade disponível. Da mesma forma, uma carga com centro de gravidade deslocado pode exigir uma configuração de içamento diferente da inicialmente imaginada.
Informações completas antes da mobilização ajudam a selecionar os recursos necessários e organizar a operação de maneira técnica e planejada.
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Envie peso, dimensões, fotos da carga, condições de acesso e informações sobre os pontos de retirada e destino. A equipe da ALTMOV poderá avaliar os recursos necessários para sua operação.
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